segunda-feira, 18 de abril de 2016

Cartilha de orientações sobre Febre Reumática

Sociedade Brasileira de Reumatologia
Dr. Kléper Jean Medeiros Leopoldino

Orientações sobre Febre Reumática

1. O que é a Febre Reumática?
     A Febre Reumática é uma doença inflamatória que pode comprometer as articulações, o coração, o cérebro e a pele de crianças de 5 a 15 anos.

2. O que causa a Febre Reumática?
     A Febre Reumática é uma reação a uma infecção de garganta por uma bactéria conhecida como estreptococo. Essa infecção de garganta é caracterizada clinicamente por febre, dor de garganta, caroços no pescoço (gânglios aumentados) e vermelhidão intensa, pontos vermelhos ou placas de pus na garganta. A criança, geralmente maior de 03 anos de idade, poderá apresentar a infecção de garganta como qualquer outra criança e, geralmente, uma a duas semanas depois começa a apresentar as queixas da Febre Reumática.

3. Qualquer criança que tem infecção de garganta pode apresentar Febre Reumática?
     Não. Somente aquelas com predisposição para apresentar a doença. Inúmeras crianças apresentam frequentes infecções de garganta, especialmente nos primeiros anos de vida, porém isto não é suficiente para predispô-las a apresentar a Febre Reumática. A predisposição necessária para apresentar a doença origina-se de herança familiar e já nasce com a criança.

4. Quais são as manifestações da Febre Reumática?
     A manifestação mais frequente é a artrite que se caracteriza por dor intensa, que dificulta o caminhar, e por inchaço e calor discretos nas articulações. As articulações mais acometidas são os joelhos e tornozelos. É comum a dor e as outras alterações passarem de uma articulação para outra, permanecendo de dois a três dias em cada uma. A simples presença de dor em uma ou mais articulações ou nas pernas, e sem as outras alterações (inchaço e calor), não é um sinal da doença.
A segunda manifestação da Febre Reumática é o comprometimento do coração (cardite) caracterizado por inflamação nas válvulas do coração podendo deixar sequelas e limitar a vida da criança na idade adulta.
A terceira manifestação é a coréia, que se caracteriza por fraqueza e movimentos anormais nos braços e nas pernas e alterações no comportamento do paciente.

5. A criança com Febre Reumática sempre tem febre?
     Não. Embora o nome seja sugestivo, nem todas as crianças apresentam febre como manifestação da doença. Ela aparece com maior frequência durante a infecção de garganta e não necessariamente quando ela começa a apresentar as manifestações da Febre Reumática.

6. Como se faz o diagnóstico da Febre Reumática?
     Com base nas queixas que a criança vem apresentando nos últimos dias, ou seja, da presença de dor e inchaço nas articulações, acompanhado, na maioria das vezes, de febre, fraqueza generalizada e falta de apetite associada às alterações nos exames de sangue que podem comprovar a presença de inflamação: velocidade de hemossedimentação (VHS), proteína C reativa (PCR) e alfaglicoproteína. A presença de infecção de garganta antes do início das alterações articulares ou cardíacas é muito importante para o raciocínio do médico que poderá comprová-la por meio da dosagem da antiestreptolisina O (ASLO).

7. A ASLO dá o diagnóstico de Febre Reumática?
     Não. Ela é um anticorpo que o nosso organismo produz para combater o estreptococo durante ou logo após uma infecção de garganta. Portanto, ela serve apenas para dizer se a criança teve infecção por esta bactéria. Na ausência das manifestações típicas da Febre Reumática, a ASLO não tem nenhum valor para o diagnóstico desta doença. Oitenta por cento das crianças com infecção de garganta pelo estreptococo apresentam elevação da ASLO, porém somente 3% delas poderão apresentar Febre Reumática. É importante ressaltar que a presença de dor nas pernas e ASLO elevada não significam febre reumática.

8. Como se trata a Febre Reumática?
     O primeiro passo logo que se suspeita desta doença é tratar a infecção de garganta mesmo que ela tenha acontecido duas ou três semanas antes e isto deve ser feito com a penicilina benzatina (Benzetacil®l), antiinflamatórios, como ibuprofeno e AAS. Para o tratamento da coréia, o haloperidol ou o ácido valpróico até os movimentos cessarem. Embora estas etapas sejam muito importantes no tratamento da criança com Febre Reumática, a medida que poderá fazer a diferença na evolução do paciente é o que chamamos de profilaxia secundária, ou seja, a administração da penicilina benzatina nas doses acima referidas a cada três semanas (21 dias) para evitar que a criança tenha novos surtos da doença.

9. Por quanto tempo a criança terá que tomar a penicilina?
     Se durante o surto a criança não apresentou comprometimento do coração, deverá ser até os 21 anos ou por no mínimo cinco anos caso seja um adolescente; entretanto, se a criança apresentou cardite, poderá ter que fazê-lo até os 25 anos ou por toda a vida, dependendo da gravidade do quadro.
O uso correto da penicilina benzatina (benzetacil) a cada 21 dias é de fundamental importância para a prevenção da cardite reumática que pode causar sequelas no coração por toda a vida.

10. Quais as complicações que a criança pode apresentar se tomar a penicilina por muito tempo?
     O maior inconveniente desta medicação é a dor no local da aplicação. Não há qualquer efeito indesejável para o crescimento, para o esmalte dos dentes ou mesmo para os ossos da criança com o uso da penicilina por vários anos. Também não se tem observado resistência da bactéria (estreptococo) com o uso prolongado desta medicação.

11. E quanto à alergia à peniclina?
     Felizmente a alergia à penicilina é muito rara, em torno de 1,5% a 3% em todas as idades. Na criança com menos de 12 anos, as reações graves, como o choque anafilático, são mais raras ainda, estando na faixa de 0,7%. Portanto a reação alérgica causada pela penicilina benzatina não é comum.

12. A retirada das amígdalas pode melhorar a Febre Reumática ou impedir que criança tenha outros surtos?
     Não. Isto porque a criança poderá continuar tendo infecções pela mesma bactéria nas paredes da garganta mesmo na ausência das amígdalas.

Cartilha de orientações sobre Espondilite Anquilosante

Sociedade Brasileira de Reumatologia
Dr. Kléper Jean Medeiros Leopoldino

Orientações sobre Espondilite Anquilosante

1. O que é a espondilite anquilosante?
     A espondilite anquilosante é um tipo de inflamação que afeta os tecidos conjuntivos, caracterizando-se pela inflamação das articulações da coluna e das grandes articulações, como quadris, ombros e outras regiões. Embora não exista cura para a doença, o tratamento precoce e adequado consegue tratar os sintomas - inflamação e dor –, estacionar a progressão da doença, manter a mobilidade das articulações acometidas e manter uma postura ereta.

2. O que causa a espondilite anquilosante?
     A causa é desconhecida. Os especialistas sabem que a doença é genética e é mais frequente em pessoas que herdam um determinado marcador genético, denominado HLA-B27. Cerca de 90% dos pacientes brancos com espondilite anquilosante são HLA-B27 positivos. A teoria mais aceita é a de que a doença possa ser desencadeada por uma infecção intestinal naquelas pessoas geneticamente predispostas a desenvolvê-las, ou seja, portadoras do HLA-B27. A espondilite anquilosante não é transmitida por contágio ou por transfusão sanguínea.

3. Qual a prevalência da espondilite anquilosante?
     A espondilite anquilosante tende a ocorrer em famílias, afeta três vezes mais os homens do que as mulheres e surge normalmente entre os 20 e 40 anos. Cerca de 20% dos indivíduos com HLA-B27 terão espondilite anquilosante, embora a maioria nunca será diagnosticada como tendo a doença, pois ela se apresentará de forma branda. Como o HLA-B27 está presente em 7% a 10% da população.

4. Quais são os sintomas da espondilite anquilosante?
     Dores na coluna que surgem de modo lento ou insidioso durante algumas semanas, associadas à rigidez matinal da coluna, que diminui de intensidade durante o dia. A dor persiste por mais de três meses, melhora com exercício e piora com repouso. No início, a espondilite anquilosante costuma causar dor nas nádegas, possivelmente se espalhando pela parte de trás das coxas e pela parte inferior da coluna. Um lado é geralmente mais doloroso do que o outro. Essa dor tem origem nas articulações sacroilíacas (entre o sacro e a pélvis). Alguns pacientes sentem-se globalmente doentes –sentem-se cansados, perdem apetite e peso e podem ter anemia. A inflamação das articulações entre as costelas e a coluna vertebral pode causar dor no peito, que piora com a respiração profunda, sentida ao redor das costelas, podendo ocorrer diminuição da expansibilidade do tórax durante a respiração profunda. Os indivíduos que apresentam limitação significativa da expansibilidade do tórax não devem de forma alguma fumar, pois seus pulmões, que já não expandem normalmente, estariam ainda mais susceptíveis a infecções.

5. Quais são os órgãos e tecidos afetados pela doença?
     Articulações da coluna vertebral: inflamação das articulações da coluna que causa dores e rigidez matinal. A doença começa nas juntas entre o sacro e a pélvis, denominadas juntas sacroilíacas. Outras articulações: inflamação das articulações dos quadris, ombros, joelhos e tornozelos são as partes afetadas com maior frequência. Algumas vezes, ocorrem locais sensíveis ou dolorosos em ossos que não fazem parte da coluna, como o osso do calcanhar, tornando-se desconfortável ficar em pé em chão duro, e o osso ísquio da bacia, tornando as cadeiras duras muito desagradáveis.
Os olhos podem ser acometidos apresentando “olho vermelho” uveíte ou irite. Os pacientes apresentam olhos avermelhados e doloridos, o que deve ser reportado ao médico o mais rapidamente possível, pois pode ocorrer um dano permanente.
A pele pode estar afetada, com a presença de psoríase, uma condição inflamatória comum da pele, caracterizada por episódios frequentes de vermelhidão, coceira e presença de escamas prateadas, secas e espessas.
O intestino pode estar associado a espondilite anquilosante em alguns pacientes e o Intestino: a colite, ou inflamação do intestino, pode estar associada à espondilite anquilosante em alguns pacientes.

6. Como diagnosticar a espondilite anquilosante?
     O diagnóstico da doença é baseado no conjunto de sintomas (dor nas nádegas e dor nas costas) e nos exames de imagem (raios-x, tomografia computadorizada ou ressonância magnética) da bacia, da coluna e das juntas afetadas. O médico faz um histórico e examina as costas (procurando por espasmos musculares, com atenção para a postura e mobilidade) e examinará as outras partes do corpo, procurando pelas evidências da espondilite anquilosante. o diagnóstico da espondilite anquilosante é confirmado pelos exames de imagem acima citados. As alterações características estão nas juntas sacroilíacas, mas podem levar alguns anos para desenvolver-se, podendo não ser notadas na primeira consulta. O médico, provavelmente, o avaliará com relação à anemia e aos testes da velocidade de sedimentação das hemácias (VHS) e proteína C Reativa (PCR), que informam quão ativa a doença está.

7. Como a doença pode progredir?
     A espondilite anquilosante toma diferentes rumos em pessoas diferentes, sendo que dois casos nunca são exatamente iguais. Com o passar do tempo, após a fase ativa em que as juntas estão inflamadas, a doença torna-se bem menos ativa ou mesmo totalmente inativa. Os sintomas podem surgir e desaparecer durante longos períodos. Os ossos das vértebras da coluna crescem, formando pontes entre as vértebras, às vezes envolvendo completamente as juntas, impedindo assim que ela se mova, causando a rigidez denominada anquilose. A coluna lombar geralmente se torna rígida, bem como a região posterior superior do pescoço. É por esta razão que é muito importante que se mantenha uma boa postura. Algumas pessoas podem ter apenas uma sé- rie de leves dores e desconfortos, durante vários meses. Isso parece ser mais comum nas mulheres com espondilite aquilosante. Nesse estágio, a doença pode tanto desaparecer, como pode prosseguir causando rigidez na coluna dorsal ou mesmo no pescoço.

08. Como é o tratamento da espondilite anquilosante?
     Não há cura para a espondilite anquilosante e, embora a doença tenda a ser menos ativa conforme a idade avança, o paciente deve estar consciente de que o tratamento deve durar para sempre. O tratamento objetiva o alívio dos sintomas e a melhora da mobilidade da coluna onde estiver diminuída, permitindo ao paciente ter uma vida social e profissional normal. O tratamento engloba uso de medicamentos, fisioterapia, correção postural e exercícios, que devem ser adaptados a cada paciente. No tratamento medicamentoso convencional utilizam-se analgésicos para aliviar a dor. Existem várias substâncias capazes de reduzir ou eliminar a dor, que permitem ao paciente uma boa noite de sono e seguir um programa de exercícios. Os remédios podem ser sintomáticos como os analgésicos e os relaxantes musculares, ou então modificadores da evolução da doença, como a sulfasalazina e o metotrexato. Como existem estudos indicando que o uso contínuo de anti-inflamatórios não-hormonais pode reduzir a progressão radiológica da espondilite anquilosante, estes medicamentos também são considerados modificadores de doença.

09. E o que são as recentes terapias biológicas?
     Terapias biológicas representam um significativo avanço no tratamento dos portadores de 16 espondilite anquilosante, que não responderam ao tratamento convencional. A terapia biológica consiste em injeções subcutâneas ou intravenosas de medicações que combatem a dor, inflamação e as alterações da imunidade nas doen- ças acima mencionadas. Consiste de medicações à base de anticorpos monoclonais, proteínas de fusão celular, anti-interleucinas e bloqueadores da coestimulação do linfócito T, que se comportam como verdadeiros mísseis teleguiados que inativam, com precisão e segurança, determinados alvos constituídos por células, citocinas e mediadores imunes presentes de forma anormal na circula- ção dos portadores de espondilite anquilosante.

10. Qual é a importância dos exercícios na espondilite?
     O propósito dos exercícios é conscientizá-lo de sua postura, especialmente com relação às suas costas, e encorajar o movimento livre de algumas juntas, particularmente ombros e quadris. É importante fortalecer os músculos, pois o movimento reduzido, mesmo por um curto período de tempo, enfraquece-os, podendo levar muito tempo para reconstruí-los. Como parte do tratamento da espondilite anquilosante, é importante que ele cuide de sua saúde e postura. Isso inclui evitar o excesso de peso e de cansaço por longos períodos de trabalho ou por excesso de compromissos. O lema para o tratamento, o qual cada paciente deveria aprender e obedecer, é: É FUNÇÃO DO MÉDICO ALIVIAR A DOR E É FUNÇÃO DO PACIENTE PRATICAR EXERCÍ- CIOS E MANTER BOA POSTURA.

11. O paciente pode praticar qualquer tipo de esporte?
    Muitos pacientes perguntam quais atividades esportivas são apropriadas para eles. A atividade ideal é a natação, de preferência em piscina aquecida, pois utiliza todos os músculos e juntas sem friccioná-los. Esportes de contato não são indicados, pois as juntas podem ser danificadas. Andar de bicicleta também é uma forma de exercício bastante benéfica, pois mantém as juntas ativas, dando maior força às pernas. Além disso, é um bom exercício de respiração e auxilia na expansibilidade do tórax, por vezes diminuída pela espondilite anquilosante.

domingo, 3 de junho de 2012

Consenso 2012 - Artrite Reumatóide


Publicado o CONSENSO 2012 DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE REUMATOLOGIA PARA O TRATAMENTO DA ARTRITE REUMATOIDE
Revista Brasileira de Reumatologia 2012; 52(2): 152-174.

A artrite reumatóide consiste em uma doença com relevante impacto social, dada a alteração da qualidade de vida que produz nos afetados, o que leva, entre outras cosas, a uma importante carga aos serviços de Saúde. A Sociedade Brasileira de Reumatologia coordenou a elaboração de diretrizes/guidelines clínicas, baseadas nas evidências atualmente disponíveis, mediante as quais atualiza as recomendações assistenciais existentes, promovendo uma útil ferramenta para os médicos.

domingo, 7 de agosto de 2011

Para que serve o exame "ASLO"?


O exame “ASLO” (antiestreptolisina O) significa apenas o contato com a bactéria estreptococos resultante da produção da estreptolisina O, um anticorpo produzido pelo ser humano como mecanismo de defesa, sendo detectado no sangue através do exame “ASLO”, portanto significa apenas o contato com a bactéria estreptococos causadora de infecções de garganta e pele.
O exame para a dosagem de ASLO (antiestreptolisina O) informa apenas o contato com a bactéria estreptococos.
Níveis de ASLO elevados significam que o contato com o estreptococo ocorreu recentemente e não diagnóstico de febre reumática.
O exame de ASLO elevado não significa “febre reumática” ou “reumatismo”. Os níveis de ASLO elevados significam apenas contato anterior recente com a bactéria causadora de infecção de garganta, indicando que a infecção foi curada.
O diagnóstico de febre reumática não se confirma apenas pela presença do “ASLO” positivo, é necessária uma história de infecção de garganta prévia (02 a 03 semanas), acompanhado de febre, inflamação nas articulações (artrite migratória) e exames reumatológicos alterados (proteína C retaiva, VHS), entre outros sintomas. Dentre as doenças autoimunes desencadeadas pelo estreptococo estão: febre reumática, artrite reativa pós-estreptocócica, glomerulonefrite pós-estreptocócica e eritema nodoso.
Portanto, a presença de níveis elevados de ASLO não significa que a pessoa tem febre reumática, mas sim a resposta do organismo a uma infecção pela bactéria estreptococos. Qualquer pessoa que tenha uma infecção de garganta pode ter aumento dos níveis sanguineos de ASLO e não desenvolver febre reumática.
O uso de penicilina benzatina (Benzetacil®) para baixar os níveis de ASLO não é indicado sem a confirmação clínica de febre reumática. Portanto Benzetacil® não tem indicação para tratar reumatismo.
A dosagem periódica de ASLO para investigar reumatismo não tem indicação, somente no caso da pessoa que tem febre reumática e está fazendo uso de Benzetacil®.
O tratamento de um paciente com dor no corpo deve ser direcionado para a pessoa e não baseado apenas em exames de laboratório.
Deve-se ter certeza no diagnóstico de febre reumática, uma vez que após o diagnóstico o paciente terá que ser submetido a injeções intramusculares a cada 21 dias de Benzetacil® por um longo período de tempo, além de exames cardiológicos com freqüência, submetendo o paciente a um tratamento longo e agressivo.

“O uso de penicilina benzatina (Benzetacil®) para baixar os níveis de ASLO não é indicado sem a confirmação clínica de febre reumática.”

“O uso de Benzetacil® não tem indicação para tratar reumatismo”

O diagnóstico de febre reumática não se confirma apenas pela presença do “ASLO” positivo”

quinta-feira, 26 de maio de 2011

A qualidade do sono pode reduzir as dores da artrite

     
Uma publicação da Arthritis Foundation, entidade americana sem fins lucrativos que oferece informações para auxiliar as pessoas a terem qualidade de vida com artrite, demonstrou que dormir bem ajuda a controlar as dores da artrite.
Seguem abaixo as principais recomendações da Arthritis Foundation para ajudar a melhorar a qualidade do sono:

·      Exercite-se regularmente em intensidade moderada, e lembre-se de reduzir o ritmo antes de deitar.

·      Elabore uma programação consistente de horários de sono e despertar e procure cumpri-la diariamente.

·      Não ingira cafeína ou álcool, especialmente próximo da hora de dormir.

·      Tome um banho morno antes de dormir ou ouça músicas suaves.

·      Procure ficar um pouco em silêncio ou leia um livro relaxante antes de dormir.

·      Não use medicamentos para dormir, a menos que seu médico os indique.


Arthritis Foundation – Maio/ 2011






quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

O que é febre reumática

Febre reumática é uma doença inflamatória causada devido a uma infecção por estreptococos do grupo A, causadora da “infecção de garganta”.
É assim chamada devido a presença de febre acompanhada de sintomas articulares bem característicos.
Normalmente, a febre reumática se desenvolve 02 a 03 semanas após uma infecção por estreptococos, tais como infecções na garganta ou escarlatina. A faixa etária mais acometida pela febre reumática é a de crianças com idade entre 05 e 15 anos, embora possa ocorrer com uma frequência muita baixa em adultos após 18 anos de idade.
A doença pode afetar muitas partes do corpo, como cérebro, coração, articulações e pele.
A febre reumática pode causar danos permanentes ao coração, incluindo válvulas danificadas do coração e insuficiência cardíaca.

• Sintomas e diagnóstico

Sinais e sintomas da febre reumática - que resultam da inflamação no coração, articulações, pele e sistema nervoso central podem durar de algumas semanas a vários meses. Em alguns casos, a inflamação pode causar complicações a longo prazo.
O diagnóstico de febre reumática aguda é baseado nos critérios da American Heart Association e inclui critérios maiores e menores (os critérios modificados de Jones).
Consiste na evidência de uma infecção estreptocócica anterior aos sintomas “infecção de garganta” acompanhado de uma série de sinais e sintomas que podem variar de acordo com as manifestações predominantes:
• Acometimento cardíaco (cardite): pode ocorrer em até 40% dos pacientes e pode incluir cardiomegalia, sopro cardíaco novo, insuficiência cardíaca congestiva e pericardite
• Poliartrite migratória: ocorre em até 75% dos pacientes e é poliarticular, fugaz, migratória e envolve grandes articulações
• Nódulos sub-cutâneos : ocorrem em até 10% dos pacientes. Eles são firmes, indolores e localizam-se nas superfícies extensoras dos punhos, cotovelos e joelhos
• Eritema marginado: esta condição ocorre em cerca de 5% dos pacientes. A erupção é serpeginosa e persistente.
• Coréia (também conhecida como coréia de Sydenham e "dança de São Vito"): Este distúrbio do movimento característico ocorre em 5-10% dos casos
• Febre
• Alterações das provas de atividade inflamatória reumatológicas
• ASLO positivo: a presença do ASLO não confirma o diagnóstico de febre reumática, apenas indica o contato com a bactéria estreptococos. O que vai determinar o desenvolvimento da febre reumática é a predisposição genética do paciente para o desenvolvimento da doença.
Ou seja, os títulos anormais “elevados” de ASLO não confirmam o diagnóstico de febre reumática, podendo ocorrer em pessoas saudáveis que tiveram infecções de garganta de repetição.


Tratamento

O tratamento da febre reumática consiste no uso de antibióticos e corticoterapia endovenosa para tratamento da cardite e prevenção de lesão cardíaca posterior.
A) Profilaxia primária - erradicaçäo do estreptococo - alternativas:
. Penicilina benzatina - 600.000 U (crianças até 25 kg)
1.200.000 U (crianças > 25 kg)
. Penicilina oral - 400.000 U de 6/6 hs por 10 dias
. Eritromicina - 40 mg/kg/dia divididos 6/6 hs por 10 dias
Completado o esquema de erradicação, inicia-se a profilaxia secundária.
B) Profilaxia secundária - tem por objetivo o controle das recorrências
da febre reumática por meio de um esquema antibiótico a longo prazo.
Este esquema deve ser instituído após um diagnóstico criterioso da doença, pois implica em muitos anos de tratamento.
A medicação de escolha é a Penicilina Benzatina, administrada a cada 21 dias:
Penicilina G Benzatina “benzetacil” 1.200.000 UI IM de 21/21 dias (peso > 25 kg). Nos alérgicos à Penicilina, recomenda-se a Sulfadiazina 01g VO para pacientes acima de 30 Kg. Já nos raros casos de pacientes alégicos à Penicilina e a Sulfas, recomenda-se a Eritromicina VO 250 mg de 12/12 horas
continuadamente.
Quanto à duração da Profilaxia Secundária, recomenda-se o
seguinte :

1 – Pacientes sem acomentimento cardíaco, durante a fase aguda:
Manter esquema de 21/21 dias até 21 anos, mas por tempo mínimo
de 05 anos, com preferência pelo período mais longo.
2 – Pacientes com acometimento cardíaco durante a fase aguda,
mas sem lesão residual, manter esquema de 21/21 dias até 25 anos, por tempo mínimo de 10 anos.
3- Pacientes com acometimento cardíaco, na fase aguda e com
lesão cardíaca residual, e aqueles operados e com implante de
prótese, manter o esquema de 21/21 dias indefinidamente.

Complicações

A cardiopatia reumática é um dano permanente no coração causada pela inflamação da febre reumática. Os problemas são mais comuns com a válvula entre as duas câmaras do coração esquerdo (válvula mitral), mas as outras válvulas podem ser afetadas. O dano pode resultar em várias lesões cardiacas como: estenose ou insuficiência das válvulas cardiacas. Alterações essas que podem acarretar complicações como, insuficiência cardiaca e arritmias.
Como principal mensagem deste texo vale a seguinte recomendação:

“Os títulos elevados de ASLO não confirmam o diagnóstico de febre reumática, podendo ocorrer em pessoas saudáveis que tiveram infecções de garganta de repetição”

Referências bibliográficas
1. Bryant PA, Robins-Browne R, Carapetis JR, Curtis N. Some of the people, some of the time: susceptibility to acute rheumatic fever. Circulation. Feb 10 2009;119(5):742-53. [Medline].
2. Guilherme L, Kalil J. Rheumatic Fever and Rheumatic Heart Disease: Cellular Mechanisms Leading Autoimmune Reactivity and Disease. J Clin Immunol. Oct 3 2009;[Medline].
3. Martin JM, Barbadora KA. Continued high caseload of rheumatic fever in western Pennsylvania: Possible rheumatogenic emm types of streptococcus pyogenes. J Pediatr. Jul 2006;149(1):58-63. [Medline].
4. Shulman ST, Tanz RR. Group A streptococcal pharyngitis and immune-mediated complications: from diagnosis to management. Expert Rev Anti Infect Ther. Feb 2010;8(2):137-50. [Medline].

domingo, 10 de outubro de 2010

A Importância do exercício físico na osteoartrite de joelhos

A atividade física pode fazer o portador de osteoartrite de joelhos, também conhecida popularmente como “artrose de joelhos”, sertir-se melhor, reduzindo a dor no joelho e facilitando a execução de suas atividades diarias.
Um sintoma comum da osteoartrite é a dor após a atividade física, o que pode inibir a prática da mesma. Nesses casos o uso de medicamentos analgésicos e terapias físicas, como calor e frio podem ajudar a aliviar a dor e tornar mais fácil a rotina de exercícios físicos.
A prática de exercícios deve ser equilibrada com repouso e cuidados comuns, como: evitar ganho excessivo de peso, uso de calçados apropriados, joelheiras e alongamentos antes e após os exercícios. Caso ocorra surgimento de dor, calor ou vermelhidão na articulação submetida ao exercício, deve-se suspender imediatamente o exercício físico e caso não ocorra alívio dos sintomas, deve-se conversar com seu médico. Sempre é necessário a orientação e programação de exercícios com um profissional habilitado, como um professor de educação física.
O objetivo principal do tratamento não-medicamentoso da osteoartrite tem por finalidade melhorar e preservar a função da articulação e a qualidade de vida.
Os exercícios que irão ajudar o paciente portador de “artrose de joelhos” incluem:
• A atividade aeróbica, como caminhada, ciclismo, natação e hidroginástica. Fortalece o coração e os pulmões melhorando a resistência.
• Exercícios de força, como levantamento de pesos leves ou halteres, com objetivo de contração muscular, principalmente dos músculos da coxa, quadril e glúteos.
• Faixa de exercícios de movimento que ajudam a mantê-lo flexível, como alongamentos ou exercícios que visam a um determinado conjunto, como pilates e dança, esticando os músculos e podendo prevenir a rigidez e as lesões músculo-tendíneas.
• Caminhada ao ar livre, sempre procurando lugares planos e sem desnível.
• Exercícios na água, como hidroginástica e natação.
• Exercícios leves em casa como complemento ao programa de exercícios semanais

Não faça exercícios que exigam estresse sobre a articulação dolorosa. Por exemplo, se você tem osteoartrite de joelhos, tente não fazer exercícios que exerçam pressão sobre os joelhos, como jogar tênis ou futebol; nesses casos somente com liberação médica
O objetivo do exercício físico é manter as articulações e os músculos duros e fortes. Por exemplo, os músculos da coxa mais fortes podem ajudar a reduzir o estresse sobre os joelhos e quadris. Da mesma forma, os músculos fracos e o excesso de peso podem colocar mais estresse na articulação com artrose.
A prática de exercícios físicos no idoso, além de permitir o fortalecimento muscular, favorece a melhora da postura e equilíbrio previnindo quedas.
Para finalizar é importante frisar que a prática de atividade física deve ser sempre indicada e acompanhada por profissional qualificado, incluindo médicos, fisiatras, fisioterapeutas e professores de educação física.
A atividade física consiste em exercícios bem planejados e bem estruturados, oferecendo benefícios físicos e cardiovasculares aos praticantes, permitindo uma significativa melhora na qualidade de vida.

Bibliografia:
1. Recommendations for the medical management of osteoarthritis of the hip and knee: 2000 update. American College of Rheumatology Subcommittee on Osteoarthritis Guidelines. Arthritis Rheum. Sep 2000;43(9):1905-15. [Medline]. [Full Text].
2. Bijlsma JW, Dekker J. A step forward for exercise in the management of osteoarthritis. Rheumatology (Oxford). Jan 2005;44(1):5-6. [Medline]. [Full Text].
3. Garstang SV, Stitik TP. Osteoarthritis: epidemiology, risk factors, and pathophysiology. Am J Phys Med Rehabil. Nov 2006;85(11 Suppl):S2-11; quiz S12-4. [Medline].
4. Hochberg MC, Altman RD, Brandt KD. Guidelines for the medical management of osteoarthritis. Part II. Osteoarthritis of the knee. American College of Rheumatology. Arthritis Rheum. Nov 1995;38(11):1541-6. [Medline].
5. Manninen P, Riihimaki H, Heliövaara M, et al. Weight changes and the risk of knee osteoarthritis requiring arthroplasty. Ann Rheum Dis. Nov 2004;63(11):1434-7. [Medline]. [Full Text].

terça-feira, 27 de julho de 2010

O que é Tendinite?

Tendinite significa inflamação de um tendão e de sua bainha. Os sinais e sintomas são semelhantes a outros processos inflamatórios (dor, calor, vermelhidão e “inchaço”), podendo evoluir para lesões parciais ou ruptura completa do tendão quando não tratada adequadamente.

O tendão é uma estrutura que liga o músculo ao osso, de grande resistência a cargas, tendo como função transmitir a força produzida no músculo até o osso para movimentar as articulações. Geralmente a tendinite é denominada de acordo com a região do corpo: tendinite Aquiles(tendão de Aquiles), tendinite patelar (tendão patelar) e epicondilite lateral (epicôndilo lateral).

• Causas

Existem inúmeras causas que acarretam a inflamação do tendão, como por exemplo, as lesões por esforços repetitivos, excesso de força, traumas locais e doenças sistêmicas, sendo as doenças reumatológicas as mais frequentes. Podem ser agudas, de início rápido com dor, calor local e geralmente autolimitadas; e crônicas onde por processos repetidos ocorre o enfraquecimento e perda de flexibilidade gradativos do tecido tendíneo.
Os fatores de risco mais comuns para o desenvolvimento das tendinites incluem: idade avançada, ocupacionais (movimentos repetitivos, trabalhos com carga) e atividades esportivas (tênis, futebol, beisebol, voleibol). As tendinites mais comuns são a do manguito rotador (ombro), a epicondilite (cotovelo), do punho (Quervain), a tendinite patelar e da pata de ganso (joelho) e a tendinite de Aquiles (tornozelo).

Sintomas

Os sintomas podem variar desde dor e calor, queimação e vermelhidão ao redor do tendão lesionado. Geralmente a tendinite ocasiona uma limitação funcional da articulação do corpo envolvida; por exemplo, nas lesões tendíneas do ombro o paciente apresenta dificuldade para realizar as manobras de rotação e abdução do ombro.
Com esta condição, a dor piora com os esforços físicos e melhora com o repouso articular. Pode ocorrer a ruptura do tendão em situações de estresse crônico do tendão, sendo menos comum em situações agudas.
Diagnóstico Na maioria dos casos o diagnóstico é clínico, sendo necessário apenas o exame articular realizado por um médico especializado, sendo de fácil diagnóstico. Em alguns casos a realização de um exame de imagem auxilia o médico para determinar o grau de extensão da lesão, sendo a ultrassonografia de partes moles e a ressonância magnética nuclear úteis
Lembrando que o simples exame clínico confirma o diagnóstico na maior parte dos casos.

Tratamento

O tratamento das tendinites é conservador. Nas tendinites agudas, comenda-se o repouso articular e o uso antiinflamatórios ou analgésicos combinados comfisioterapia, gelo local e imobilização com órteses (tala, braçadeiras, joelheiras). Nas tendinites crônicas é fundamental a reabilitação através de fisioterapia e reforço da musculatura adjacente.

Infiltração com corticosteróides às vezes é necessária para alívio dos sintomas crônicos com resultados satisfatórios. O objetivo do tratamento é obter alívio da dor e permitir o retorno do paciente às suas funções habituais. Existe uma entidade conhecida como DORT (doença ocupacional relacionada ao trabalho) em que as pessoas que fazem diariamente os mesmos movimentos ou utilizam ferramentas diárias executando as mesmas tarefas como digitadores, operários de linhas de montagem e esportistas, correm riscos maiores de desenvolvê-la, gerando um grande número de afastamentos do trabalho, sendo um tema bastante polêmico dentro da Medicina do Trabalho. Recomenda-se sempre o acompanhamento de um médico especializado e habituado no tratamento dessa enfermidade para um melhor resultado terapêutico e na prevenção de lesões futuras.

Prevenção

Importante salientar na prevenção das tendinites que consiste na prática de atividades físicas regularmente, permitindo o fortalecimento das estruturas tendíneas e musculares, além do alongamento das articulações antes de qualquer exercício. Melhor ergonomia no trabalho é uma das principais medidas para prevenção de tendinites



Referencias bibliográficas: 1. Khan, KM; Cook JL, Kannus P, Maffulli N, Bonar SF (2002-03-16). "Time to abandon the "tendinitis" myth: Painful, overuse tendon conditions have a non-inflammatory pathology". BMJ 324 (7338): 626–7. doi:10.1136/bmj.324.7338.626. PMID 11895810. PMC 1122566. http://bmj.bmjjournals.com/cgi/content/full/324/7338/626. 2. Low, Steven (Aug 2009). "On Tendonitis". Eat. Move. Improve.. http://www.eatmoveimprove.com/2009/08/on-tendonitis/. 3. Wilson, JJ; Best TM (Sep 2005). "Common overuse tendon problems: A review and recommendations for treatment" (PDF). American Family Physician 72 (5): 811–8. PMID 16156339. http://www.aafp.org/afp/20050901/811.pdf. 4. Gaujoux-Viala C, Dougados M, Gossec L (December 2009). "Efficacy and safety of steroid injections for shoulder and elbow tendonitis: a meta-analysis of randomised controlled trials". Ann. Rheum. Dis. 68 (12): 1843–9. doi:10.1136/ard.2008.099572. PMID 19054817.

sexta-feira, 23 de julho de 2010




XXVIII Congresso Brasileiro de Reumatologia,
em Porto Alegre, nos dias 18 a 22 de setembro


Acontecerá em setembro mais um Congresso Brasileiro de Reumatologia onde serão discutidos temas e aspectos de nossa rica e variada área de atuação, discutindo temas atuais e novas propostas de tratamento aos pacientes. A Reumatologia encontra-se num momento de novidades científicas e será uma oportunidade para permuta de experiências e conhecimentos.

domingo, 23 de maio de 2010

Sete passos para um coração saudável



Publicação recente na revista Circulation da American Heart Association (entidade que trata de assuntos relacionados à saúde cardiovascular), descreve um manual de medidas que um adulto deve seguir para manter um coração saudável:

1. Nunca ter fumado ou ter deixado de fumar há mais de um ano.

2. Índice de Massa Corporal1 (IMC) abaixo de 25 kg/m² (o IMC é calculado dividindo o peso corporal em quilogramas pelo quadrado da altura em metros). Calcule seu IMC.

3. Prática regular de atividade física. Recomenda-se a prática de 150 minutos por semana de atividades físicas de intensidade moderada ou 75 minutos por semana de atividade física de intensidade vigorosa para uma saúde ideal.

4. Pressão arterial abaixo de 120 x 80 mmHg.

5. Glicemia de jejum abaixo de 100mg/dl.

6. Colesterol total abaixo de 200mg/dl.

7. Dieta saudável. Para uma dieta de 2000 calorias ao dia, por exemplo, incluir:

  • Pelo menos 04 copos e meio de frutas e vegetais por dia.
  • Pelo menos duas porções de 100 gramas de peixe por semana, preferencialmente peixes como salmão, arenque, cavala, sardinha e truta.
  • Pelo menos uma porção de 30 gramas de grãos integrais ricos em fibras por dia.
  • Limitar a ingestão de sódio (sal) a 1500mg por dia.
  • Não beber mais do que um litro por semana de bebidas com adição de açúcar.

A American Heart Association acredita que estes sete fatores possam melhorar a saúde cardiovascular dos americanos em 20% até o ano de 2020 e reduzir as mortes por doenças cardiovasculares (“infarto”) e acidentes vasculares cerebrais (“derrame cerebral”) em 20%.